tempo

COMO SER BORDADEIRA NO MEIO DA CORRERIA?

Meu nome é Lísia e, mesmo sendo a pessoa que movimenta a Bordadologia, eu não tenho tempo para bordar.

Ou melhor, tenho algum tempo sim, mas ele é infinitamente menor do que eu gostaria, e insuficiente para todos os projetos em mente. E o tempo que eu tenho uso para bordar “as coisas da Bordadologia”, e quase sempre meu trabalho pessoal  – ou as coisas que eu bordo só pelo prazer de bordar mesmo – fica em segundo plano.

Eu conheço uma pessoa que borda no mínimo intervalo de tempo entre seu filho pequeno correr para pegar a bola e jogar novamente para ela, enquanto brincam juntos; eu mesma bordo no ônibus, enquanto me desloco de um trabalho para o outro; já conheci uma pessoa que bordava nos minutos que sobravam de seu horário de almoço, após terminar de comer.

Bordar nos tempos corridos de hoje exige um pouco de criatividade – para encontrar brechas de tempo no cotidiano – e um pouco de teimosia produtiva, para não se entregar à preguiça e ao cansaço.

O QUE VOCÊ FAZ PARA TER TEMPO DE BORDAR?

O bordado é milenar na cultura humana (em diversos povos), e, quando ele surgiu, nossa relação com o tempo era radicalmente diferente da que temos hoje. Nos milênios passados, o tempo era muito muito mais abundante, e também era percebido como muito mais lento.

Assim, até por volta do século 18 (quando começam os processos de industrialização) as pessoas podiam se dar ao luxo de produzir sofisticadas peças de trabalho manual: bordados, tapetes, roupas elaboradas com muitos detalhes, espadas e objetos de metal, objetos de vidro, e mesmo incríveis obras de arte e arquitetura. Basta termos a oportunidade de vermos esses objetos de perto ou por foto (visitando museus ou mesmo pesquisando ela internet) para percebermos que um dos principais ingredientes do artesão/artista era o tempo disponível.

Hoje nossa vida não nos permite mais essa alegria, e nós bordadeiras estamos correndo sempre contra o tempo para termos umas horinhas entre linhas e agulhas, além de já fazermos malabarismo para equilibrar nossa vida profissional, familiar, social e afetiva – isso sem falar nos filhos!

Infelizmente, este texto não traz a receita mágica para esticar o tempo; mas ele tem uma pequena lista de coisas para te ajudar a fazer render seu momento de bordar:

1- ao final de cada sessão de bordado, procure já deixar seu material organizado, assim você não perde tempo organizando sua caixa de linhas antes de bordar;

2 – deixe o risco e o tecido já preparados em algum outro momento da semana, assim quando você for bordar já coloca a mão na massa;

3 – tenha um cantinho já preparado onde você possa se acomodar e ficar confortável – evite sentar para bordar em um lugar que ainda precisa ser limpo e arrumado: ou você ficará incomodada com a bagunça, ou perderá o tempo de bordar para arrumá-la;

4 – ao longo da semana, leve seu bordado com você para onde você for, acomodado em uma nécessaire ou mesmo numa ecobag; e aproveite salas de espera de médica ou dentista, esperar a aula de natação da filha/filho, ou ficar na interminável fila do banco, para bordar um pouquinho; de 20 em 20 minutos seu trabalho pode render bastante;

5 – se você tem crianças pequenas, combine com sua companheira ou companheiro um horário semanal para que ela/ele fique com os filhotes, enquanto você borda;

6 – não fique chateada se seu bordado “não andar”, ou demorar demais a ficar pronto; não desista e persista; lembre-se que estamos nadando contra a corrente dos tempos modernos ao realizar com nossas próprias mãos um trabalho tão precioso;

Bora bordar? :)

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MAIS TEXTOS :)

EU SOU BORDADEIRA!

23 de maio de 2018 foi Dia da Bordadeira!

Comemoramos no dia e comemoraremos todo dia até enjoar!

Venha para a nossa galeria de bordadeiras lindas! (ou de bordadeiros lindos – não seja tímido e seja o primeiro menino a enviar uma foto!)

(fotos em ordem aleatória)

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Agradecemos imensamente às participantes, que gentilmente autorizaram a publicação de sua imagem (em ordem alfabética): Agda, Danielle, Dani, Diana, Helena, Ingrid, Lari, Letícia, Mariana, Mônica, Natália, Niuza, Patrícia, Rafaela e Tatiane.

Envie sua foto através de mensagem no aplicativo Instagram, no nosso perfil @bordadologia , e colocaremos essa vinheta, deixando-a igualzinha às exibidas aqui.

Venha fazer parte da nossa brincadeira séria! Nosso objetivo é dar rosto às mulheres (e homens) apaixonadas pelo Bordado, sejam bordadeiras “profissionais” ou “de fim de semana”!

Nota da Editora: reunimos este material maravilhoso nos dias 23 e 24 de maio; então veio a tensão causada pela greve dos caminhoneiros e decidimos adiar a publicação. Então veio muito trabalho paralelo e esta que vos escreve contraiu uma baita gripe… ossos do ofício de ser uma empresa de uma mulher só… aqui o texto até atrasa, mas sempre sai!

Lísia Maria/Bordadologia. Maio de 2018.

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BORDADO X PROCRASTINAÇÃO: 8 DICAS PARA NÃO CAIR NESSA!

BORDADO X PROCRASTINAÇÃO: 8 DICAS PARA NÃO CAIR NESSA!

Perguntamos ao seguidores em nosso perfil no Instagram: “Como estão os seus projetos de bordado em 2018?” e ficam@s chocad@s com o resultado! Das pessoas que gentilmente responderam nossa enquete:

É muito projeto empacado!

E o pior é que nós da Bordadologia estamos com a maioria: uma parte dos nossos projetos. que já tinham que estar a pleno vapor, ainda engatinham em nossos lindos bullet journals e estão um pouco longe de saírem do papel :(

Pensando nisso, reunimos aqui algumas dicas para ajudar a todos nós que estamos encalhados nesse mar de linhas, riscos e ideias!

8 DICAS PARA EVITAR O BORDADO ENCALHADO!

1 – MANTENHA SEU MATERIAL DE BORDADO SEMPRE ORGANIZADO, assim quando for começar o seu projeto você não perde tempo arrumando todas aquelas linhas emboladas;

2 – TAMBÉM ORGANIZE UM CADERNO DE RISCOS, pois isso te ajudará a ter sempre à mão os desenhos que você já investiu algum tempo pesquisando ou criando, ao invés de ter que começar do zero todas as vezes;

3 – TENHA UMA LISTINHA – pequena – dos projetos que você espera fazer em breve; escreva a lápis (para poder ir apagando os projetos já bordados e substituindo por novos) e cole-a no seu caderno de riscos;

4 – NÃO SE PERCA NAS SUAS ANOTAÇÕES! Evite usar o tempo que você tinha naquela tarde para ficar atualizando, ad eternum, seu caderno de risco e sua listinha de projetos! De vez em quando você precisará fazer isso, mas lembre-se que o objetivo é otimizar o tempo para bordar;

5 – SEPARE UM TEMPO NA SUA AGENDA SEMANAL para a atividade do bordado: ainda que eventualmente você precise abrir mão dessa brechinha, se o horário existir na sua rotina será muito mais fácil dar andamento aos trabalhos que você iniciou;

6 –  TENHA UM CANTO PARA BORDAR, para que você não precise negociar o uso de móveis e espaços da casa com os outros habitantes toda vez que for trabalhar; se você mora sozinh@, separe um espaço para que você não precise negociar com a bagunça;

7 – DEIXE MÚSICAS, SÉRIES E FILMES NO PONTO, se você é do tipo que borda acompanhad@ de trilha sonora ou narrativas dramáticas. Evite gastar o seu tempo para bordar escolhendo esse acompanhamentos (quem nunca?);

8 – CONHEÇA SUAS LIMITAÇÕES técnicas e de tempo também: não adianta envolver-se em um projeto com uma técnica que você ainda não pôde aprender, nem em um projeto que vai consumir horas que você não tem disponíveis no seu cotidiano; um projeto dificílimo e interminável está fadado a permanecer incompleto, além de transformar as horas de trabalho nele numa tortura tediosa.

Além destas dicas, separamos também uma animação, feita pelo artista John Kelly, que sempre assistimos por aqui quando precisamos de um estímulo para o nosso ânimo e nossa organização:

Se este texto ajudou você um pouquinho, deixe sua opinião nos comentários! E nos siga em nossas redes sociais para ter sempre nossas notícias fresquinhas! :)

Lísia Maria/Bordadologia. Fevereiro de 2018.

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HISTÓRIA SENTIMENTAL DO BORDADO

HISTÓRIA SENTIMENTAL DO BORDADO

BORDAR É: ornamentar com desenhos feitos com agulha (segundo os dicionários).

Esta frase era o começo de um texto que tentaria reunir informações sobre os primeiros bordados e um pouco da sua história. Mas daí o olho relê, a cabeça pensa e damos um grande suspiro… Bordar é ornamentar com desenhos feitos com agulha: quanta história cabe nessa frase.

Desde as mulheres da Grécia Antiga até as descoladas bordadeiras de hoje, quantas histórias individuais foram escritas em paralelo à agulha que sobre e desce.

Quantos bordados fizeram parte da vida de alguém, que bordou ou ganhou uma peça que se manteve na família atravessando gerações.

Quantas mulheres não tiraram desse ofício o seu sustento, sobrevivendo numa sociedade quase sempre injusta com elas.

Quantas histórias coletivas foram registradas com esses pontos insistentes, e hoje estão guardadas nos museus do mundo, silenciosamente esperando o nosso olhar.

Quanto sentimento de espera e expectativa de uma vida perfeita não foi deixado em cada enxoval bordado (interessante pensar que as separações, inevitáveis, nunca eram registradas, nunca houve um “enxoval de divorciada”).

Quantas mulheres que tiveram sua criatividade externada através dos panos de prato decorados pacientemente, já que, para nós mulheres, durante muito tempo, ser artista era proibido, assim como ver certas peças, ouvir certas músicas, ler certos livros.

E quantas outras não tiveram seu gênio domado à força pelo bordado que eram obrigadas a fazer, encolhidas pela ditadura de um avesso perfeito e de um ofício que forçosamente ocupava o tempo e as ideias. É o lado triste da história do bordado, mas acontecia…

E as histórias de luta bordadas por mulheres que escolheram as agulhas para registrar e denunciar as injustiças cometidas em seus países, contra seus filhos, contra elas mesmas, contra suas ideias e posturas políticas?

Quanta vida não passou por cada ponto.

Bordar é ornamentar a própria vida com desenhos feitos com agulha.

As peças bordadas são dadas de presente, vendidas, distribuídas; mas carregam consigo um pedaço do tempo de vida da bordadeira, um pedaço de tanta coisa que ela pensou ou sentiu enquanto a agulha trabalhava.

Essa história sentimental do bordado não está escrita em nenhum livro, mas está escrita em todos os bordados já feitos. TODOS.

Era para ter sido um texto quase técnico, com informações destinadas a aumentar o conhecimento sobre esse assunto tão cheio de história, mas felizmente esta frase nos atravessou e nos desviou para o caminho certo: antes de pensar com a cabeça, bora pensar com o coração.

Cada vez que você tiver em mãos uma peça bordada, tente escutar essa história secreta.

Bordar é ornamentar a própria vida com desenhos feitos com agulha.

Lísia Maria/Bordadologia. Setembro de 2017.

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