processo didático

POR QUE EU AMO DAR AULA?

Esta semana que passou foi dia dos Professores, e postei um breve texto no Instagram falando da minha experiência como professora. Gostei tanto que decidi escrever um pouco mais :)

Por que eu amo dar aula?

Porque é a melhor maneira de fazer duas coisas que gosto muito: estar com pessoas e exercer minha capacidade criativa.

Desde quando eu dava aula de Arte em escola comum, a criatividade é o principal recurso que eu utilizo. Pois, por mais que seja planejada, e depois repetida e repetida, cada aula é uma. Cada pessoa/grupo exige uma postura, uma abordagem, uma voz diferente; assim, por mais que o conteúdo de uma aula esteja pronto, a cada aula, a aula precisa ser reinventada. Além disso, para elaborar o conteúdo dessas também é preciso muita criatividade, para esse conteúdo sair sempre fresquinho.

Já estar com pessoas é sempre especial. Cada encontro é precioso. Nas oficinas, esses encontros são mais breves, mais rápidos, e mesmo assim sobra tempo para muita troca – eu aprendo novas formas de ensinar, mas também aprendo novas formas de bordar, porque sempre tem alguém que sabe uma coisa diferente, uma coisa a mais, uma coisa que aprendeu com a avó… Nos cursos permanentes essa troca é ainda mais aprofundada, pois o tempo e a convivência trazem outras nuances de relacionamento, janelas de empatia maiores e mais abertas.

Por 16 anos, fui professora de Arte em escolas da rede pública e privada, e mais que ensinar, aprendi MUITO, em especial com as crianças que cruzaram meu caminho. Atualmente prefiro outras experiências de ensino, menos atravessadas pela burocracia e demandas mercadológicas, e mais focadas nos sujeitos envolvidos.

(estou usando o texto do Instagram de base para esse, e é com tristeza que vejo que não tenho nada a acrescentar no parágrafo acima… apenas ressaltar como as crianças eram maravilhosas, e como a estrutura burocrática me sufocava. Mentira, tenho algo a mais a dizer: deve estar complicado ser uma professora que trabalha postura crítica e autonomia com os alunos em tempos que qualquer debate é doutrinamento ideológico… toda minha solidariedade aos colegas nas salas de aula país afora…).

Hoje, sou professora de bordado e de processo criativo, na modalidade livre (diferente da modalidade regular, que é o ensino em escolas regulamentadas pelo governo), e me dedico a uma pesquisa independente sobre processos didáticos e criativos.

Nas aulas de bordado sou um pouquinho mais pragmática: observo o lado técnico, a execução correta dos pontos e cobro o acabamento bonito; mas não deixo de pirar no momento de discutir os projeto autorais das alunas, e também de escolher referências de outras bordadeiras/artistas para a aula.

Já as aulas de processo criativo são um resgate da professora de Arte que fui por muito tempo, e nessas aulas tudo pode acontecer: aula de desenho de observação, exercícios criativos diversos, técnicas inusitadas… cada aula é um desafio diferente, e por isso é tão bom. Nelas eu consigo também puxar um pouco mais nas referências também, e essa pesquisa teórica me dá um baita prazer.

Ser professora é isso: estar sempre muito conectada com o mundo, com as informações, com o conhecimento; e ao mesmo tempo escolher qual pedacinho dessa roda viva você vai levar para cada aluna, qual pedacinho vai fazer a diferença no processo desta pessoa, e qual vai diferença no processo daquela outra. É pular de alegria por achar de forma inesperada uma referência que é justamente algo que alguém está precisando naquele momento; é se entusiasmar com cada jornada, cada progresso; é também ser solidária e acolhedora com as dificuldades e tropeços. É não impor o seu ritmo acelerado/ansioso ao ritmo de cada aluna. É levar com muita seriedade a confiança que é depositada em você.

Imagino que esse texto tenha ficado meio grandinho, mas essa era mesmo a intenção: esticar um pouco a conversa que comecei no Instagram, além de falar um pouquinho mais sobre mim

Mais uma vez, gostaria de celebrar todos os colegas professoras e professores o seu dia, espero que tenha sido de comemoração, ainda que a realidade da sala de aula ainda seja um desafio cotidiano; e estender a homenagem às mestras bordadeiras que vieram antes de todas nós, sem as quais não estaríamos aqui hoje.

Gostaria também de repetir meu agradecimento especial a todas minhas alunas, do curso permanente ou de oficinas, que a cada encontro me ensinam coisas novas e me ensinam a ser uma professora melhor.

E UM VIVA PARA PAULO FREIRE!