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POR QUE EU AMO DAR AULA?

Esta semana que passou foi dia dos Professores, e postei um breve texto no Instagram falando da minha experiência como professora. Gostei tanto que decidi escrever um pouco mais :)

Por que eu amo dar aula?

Porque é a melhor maneira de fazer duas coisas que gosto muito: estar com pessoas e exercer minha capacidade criativa.

Desde quando eu dava aula de Arte em escola comum, a criatividade é o principal recurso que eu utilizo. Pois, por mais que seja planejada, e depois repetida e repetida, cada aula é uma. Cada pessoa/grupo exige uma postura, uma abordagem, uma voz diferente; assim, por mais que o conteúdo de uma aula esteja pronto, a cada aula, a aula precisa ser reinventada. Além disso, para elaborar o conteúdo dessas também é preciso muita criatividade, para esse conteúdo sair sempre fresquinho.

Já estar com pessoas é sempre especial. Cada encontro é precioso. Nas oficinas, esses encontros são mais breves, mais rápidos, e mesmo assim sobra tempo para muita troca – eu aprendo novas formas de ensinar, mas também aprendo novas formas de bordar, porque sempre tem alguém que sabe uma coisa diferente, uma coisa a mais, uma coisa que aprendeu com a avó… Nos cursos permanentes essa troca é ainda mais aprofundada, pois o tempo e a convivência trazem outras nuances de relacionamento, janelas de empatia maiores e mais abertas.

Por 16 anos, fui professora de Arte em escolas da rede pública e privada, e mais que ensinar, aprendi MUITO, em especial com as crianças que cruzaram meu caminho. Atualmente prefiro outras experiências de ensino, menos atravessadas pela burocracia e demandas mercadológicas, e mais focadas nos sujeitos envolvidos.

(estou usando o texto do Instagram de base para esse, e é com tristeza que vejo que não tenho nada a acrescentar no parágrafo acima… apenas ressaltar como as crianças eram maravilhosas, e como a estrutura burocrática me sufocava. Mentira, tenho algo a mais a dizer: deve estar complicado ser uma professora que trabalha postura crítica e autonomia com os alunos em tempos que qualquer debate é doutrinamento ideológico… toda minha solidariedade aos colegas nas salas de aula país afora…).

Hoje, sou professora de bordado e de processo criativo, na modalidade livre (diferente da modalidade regular, que é o ensino em escolas regulamentadas pelo governo), e me dedico a uma pesquisa independente sobre processos didáticos e criativos.

Nas aulas de bordado sou um pouquinho mais pragmática: observo o lado técnico, a execução correta dos pontos e cobro o acabamento bonito; mas não deixo de pirar no momento de discutir os projeto autorais das alunas, e também de escolher referências de outras bordadeiras/artistas para a aula.

Já as aulas de processo criativo são um resgate da professora de Arte que fui por muito tempo, e nessas aulas tudo pode acontecer: aula de desenho de observação, exercícios criativos diversos, técnicas inusitadas… cada aula é um desafio diferente, e por isso é tão bom. Nelas eu consigo também puxar um pouco mais nas referências também, e essa pesquisa teórica me dá um baita prazer.

Ser professora é isso: estar sempre muito conectada com o mundo, com as informações, com o conhecimento; e ao mesmo tempo escolher qual pedacinho dessa roda viva você vai levar para cada aluna, qual pedacinho vai fazer a diferença no processo desta pessoa, e qual vai diferença no processo daquela outra. É pular de alegria por achar de forma inesperada uma referência que é justamente algo que alguém está precisando naquele momento; é se entusiasmar com cada jornada, cada progresso; é também ser solidária e acolhedora com as dificuldades e tropeços. É não impor o seu ritmo acelerado/ansioso ao ritmo de cada aluna. É levar com muita seriedade a confiança que é depositada em você.

Imagino que esse texto tenha ficado meio grandinho, mas essa era mesmo a intenção: esticar um pouco a conversa que comecei no Instagram, além de falar um pouquinho mais sobre mim

Mais uma vez, gostaria de celebrar todos os colegas professoras e professores o seu dia, espero que tenha sido de comemoração, ainda que a realidade da sala de aula ainda seja um desafio cotidiano; e estender a homenagem às mestras bordadeiras que vieram antes de todas nós, sem as quais não estaríamos aqui hoje.

Gostaria também de repetir meu agradecimento especial a todas minhas alunas, do curso permanente ou de oficinas, que a cada encontro me ensinam coisas novas e me ensinam a ser uma professora melhor.

E UM VIVA PARA PAULO FREIRE!

COMO SER BORDADEIRA NO MEIO DA CORRERIA?

Meu nome é Lísia e, mesmo sendo a pessoa que movimenta a Bordadologia, eu não tenho tempo para bordar.

Ou melhor, tenho algum tempo sim, mas ele é infinitamente menor do que eu gostaria, e insuficiente para todos os projetos em mente. E o tempo que eu tenho uso para bordar “as coisas da Bordadologia”, e quase sempre meu trabalho pessoal  – ou as coisas que eu bordo só pelo prazer de bordar mesmo – fica em segundo plano.

Eu conheço uma pessoa que borda no mínimo intervalo de tempo entre seu filho pequeno correr para pegar a bola e jogar novamente para ela, enquanto brincam juntos; eu mesma bordo no ônibus, enquanto me desloco de um trabalho para o outro; já conheci uma pessoa que bordava nos minutos que sobravam de seu horário de almoço, após terminar de comer.

Bordar nos tempos corridos de hoje exige um pouco de criatividade – para encontrar brechas de tempo no cotidiano – e um pouco de teimosia produtiva, para não se entregar à preguiça e ao cansaço.

O QUE VOCÊ FAZ PARA TER TEMPO DE BORDAR?

O bordado é milenar na cultura humana (em diversos povos), e, quando ele surgiu, nossa relação com o tempo era radicalmente diferente da que temos hoje. Nos milênios passados, o tempo era muito muito mais abundante, e também era percebido como muito mais lento.

Assim, até por volta do século 18 (quando começam os processos de industrialização) as pessoas podiam se dar ao luxo de produzir sofisticadas peças de trabalho manual: bordados, tapetes, roupas elaboradas com muitos detalhes, espadas e objetos de metal, objetos de vidro, e mesmo incríveis obras de arte e arquitetura. Basta termos a oportunidade de vermos esses objetos de perto ou por foto (visitando museus ou mesmo pesquisando ela internet) para percebermos que um dos principais ingredientes do artesão/artista era o tempo disponível.

Hoje nossa vida não nos permite mais essa alegria, e nós bordadeiras estamos correndo sempre contra o tempo para termos umas horinhas entre linhas e agulhas, além de já fazermos malabarismo para equilibrar nossa vida profissional, familiar, social e afetiva – isso sem falar nos filhos!

Infelizmente, este texto não traz a receita mágica para esticar o tempo; mas ele tem uma pequena lista de coisas para te ajudar a fazer render seu momento de bordar:

1- ao final de cada sessão de bordado, procure já deixar seu material organizado, assim você não perde tempo organizando sua caixa de linhas antes de bordar;

2 – deixe o risco e o tecido já preparados em algum outro momento da semana, assim quando você for bordar já coloca a mão na massa;

3 – tenha um cantinho já preparado onde você possa se acomodar e ficar confortável – evite sentar para bordar em um lugar que ainda precisa ser limpo e arrumado: ou você ficará incomodada com a bagunça, ou perderá o tempo de bordar para arrumá-la;

4 – ao longo da semana, leve seu bordado com você para onde você for, acomodado em uma nécessaire ou mesmo numa ecobag; e aproveite salas de espera de médica ou dentista, esperar a aula de natação da filha/filho, ou ficar na interminável fila do banco, para bordar um pouquinho; de 20 em 20 minutos seu trabalho pode render bastante;

5 – se você tem crianças pequenas, combine com sua companheira ou companheiro um horário semanal para que ela/ele fique com os filhotes, enquanto você borda;

6 – não fique chateada se seu bordado “não andar”, ou demorar demais a ficar pronto; não desista e persista; lembre-se que estamos nadando contra a corrente dos tempos modernos ao realizar com nossas próprias mãos um trabalho tão precioso;

Bora bordar? :)

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MAIS TEXTOS :)

O POTE MÁGICO DAS SOBRAS DE LINHAS

Eu guardo todos os restos de linha dos meus bordados. E dos bordados das minhas alunas quando elas deixam esses restos aqui no atelier da Bordadologia.

Estou há dias tentando lembrar quem me ensinou isso. Mas é um desses hábitos que está tão enraizado que é impossível recordar como começou (quem sabe foi a queridíssima Chirley Maria Ferreira que me deu a dica).

Desde que comecei a bordar, há cinco anos, guardo os pequenos pedacinhos de linha que vão sobrando a cada trabalho… minha coleção tá grandinha já…

Uma das razões que me faz seguir com esse gesto é a preocupação com o meio ambiente: não transformar em lixo algo que pode ser reaproveitado. Grande parte das linhas que uso é produzida industrialmente, gerando resíduos e impacto ambiental, então o mínimo que posso fazer é poupar a natureza dos restinhos que não vou mais usar.

Outra razão, bem particular minha, é apego mesmo: as cores são tão bonitas, é difícil descartar um resíduo tão colorido, ainda mais quando vão juntando restos de mais de um bordado e as cores vão se misturando sem lógica, formando novas combinações que não foram pensadas… (é um pouco viagem de artista esse papo? hahaha)

Finalmente, temos a razão velha conhecida de pessoas criativas, artistas e artesãos: “um dia vou fazer alguma coisa com isso”. Estamos sempre guardando restos das coisas, materiais que ninguém quis, objetos sem uso, coisas velhas: tudo parece tão interessante que seria um enorme desperdício artístico não tentar aproveitar… Mas eu ainda não fiz nada, estou apenas juntando cada dia mais e mais um pouco.

Já a Priscila Soares, da AtoBordado, fez (isso não é uma publi, é só admiração mesmo)! Quem compra seus produtos bordados recebe com eles etiquetas incríveis, confeccionadas pela Priscila justamente com os restos de linha de suas produções. Amei  tanto essa ideia que pedi a ela que me contasse porque ela guarda os seus restos de linha, e como ela criou essas etiquetas:

“Logo que comecei a bordar, notei que a “fusão de cores” das linhas entrelaçadas remetia, por si só, a uma estética artística de possíveis e infinitas possibilidades de interpretação! Sentimentos, emoções, pensamentos, ideias… tudo podia encontrar representação naquele emaranhado de linhas e cores: foi quando tive a inspiração de usar as sobras de linhas para dar vida e arte aos meus cartões de visita e etiquetas, que também faço à mão. ♡

Os montinhos de cores são os que aparecem na hora; não os escolho necessariamente. Recorro ao meu “pote mágico de sobras de linhas” e deixo a mistura se dar no momento de criar os cartões.

A reação dos clientes que o recebem em mãos é sempre a mesma! ♡ Falam do capricho, do cuidado e alguns têm até dó de levar a cartão: só fotografam! Haha… Também já ouvi de clientes que só o cartãozinho, em si, é uma pequena obra de arte! ♡”

Priscila, com certeza suas etiquetas são obras de arte! Deve ser uma sensação muito bacana receber seus produtos e com eles essa outra criação! Eu daqui fico só com aquela pontinha de inveja, querendo ter uma ideia assim tão boa….

E você, bordadóloga, guarda seus restinhos de linha também? Já pensou no que vai fazer com eles?

  Em tempo: fui perguntar para essa minha amiga, que cito lá no começo do texto, se foi ela mesmo quem me ensinou a guardar as linhas. Ela também não lembra, mas durante a conversa (via áudios de whatsapp), ela foi mexer nas suas linhas guardadas e disse:

“isso que você falou, de lembrar, eu puxei ali e vi um fio, que eu fiz uma vez um poncho, amarelo cinza e bege, cru assim mais ou menos, tem um tempão… e tem resto dele ali…  vou procurar a foto dele lá no meu blog pra ver quanto tempo tem esse negócio”.

Sem mais ♡

Lísia Maria/Bordadologia – maio de 2019

BORDAR É

BORDAR É

Bordar é passar dias bordando apenas mentalmente – até se ter tempo de pegar nas agulhas de verdade.

Bordar é ter a chance de dizer algo, sem precisar falar.

Bordar é um jeito de demostrar amor, sem precisar de gestos grandiosos.

Bordar é perder a noção da hora, tanto faz se bordando com o relógio por perto ou não.

Bordar é passar três horas na mesma posição sem perceber.

Bordar é ter paciência de repetir um ponto mil vezes, e mais mil vezes.

Bordar é ter a paciência de esperar o desenho nascer diante dos seus olhos, a partir de um emaranhado de linhas.

Bordar é ficar entusiasmada quando um projeto começa, e feliz quando ele termina. Ou aliviada.

Bordar é ser detalhista.

Bordar é fazer uma gambiarra de vez em quando, se ninguém estiver olhando.

Bordar é perder agulhas pela casa e espetar, sem querer, os outros moradores.

Bordar é nunca ficar entediada por não ter nada para fazer.

Bordar é ficar bem na sua própria companhia.

Bordar é descobrir, todos os dias, novas formas de fazer o que já se sabe.

Bordar é planejar um projeto, e na hora de fazê-lo, ter novas ideias e mudar quase tudo.

Bordar é passar longos minutos decidindo entre dois tons quase iguais de uma cor.

Bordar é ficar horas nas lojas de linha.

Bordar é desfazer pontos.

Bordar é desmanchar todos pontos e recomeçar do zero.

Bordar é ser surpreendida por um resultado melhor do que o que você queria.

Bordar é perceber quando um projeto está além dos seus limites naquele momento.

Bordar é fazer algo com suas próprias mãos.

Bordar é conectar-se com outras mulheres através dos tempos e sem limites geográficos.

Bordar é ter algo a ensinar para alguém.

Bordar é encantar as pessoas.

Bordar é algo que causa um grande prazer – mas também um grande cansaço.

Bordar é algo que não consigo deixar de fazer.

Bordar é sonhar acordada.

 

Lísia Maria/Bordadologia. Abril de 2019.

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EU SOU BORDADEIRA!

23 de maio de 2018 foi Dia da Bordadeira!

Comemoramos no dia e comemoraremos todo dia até enjoar!

Venha para a nossa galeria de bordadeiras lindas! (ou de bordadeiros lindos – não seja tímido e seja o primeiro menino a enviar uma foto!)

(fotos em ordem aleatória)

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Agradecemos imensamente às participantes, que gentilmente autorizaram a publicação de sua imagem (em ordem alfabética): Agda, Danielle, Dani, Diana, Helena, Ingrid, Lari, Letícia, Mariana, Mônica, Natália, Niuza, Patrícia, Rafaela e Tatiane.

Envie sua foto através de mensagem no aplicativo Instagram, no nosso perfil @bordadologia , e colocaremos essa vinheta, deixando-a igualzinha às exibidas aqui.

Venha fazer parte da nossa brincadeira séria! Nosso objetivo é dar rosto às mulheres (e homens) apaixonadas pelo Bordado, sejam bordadeiras “profissionais” ou “de fim de semana”!

Nota da Editora: reunimos este material maravilhoso nos dias 23 e 24 de maio; então veio a tensão causada pela greve dos caminhoneiros e decidimos adiar a publicação. Então veio muito trabalho paralelo e esta que vos escreve contraiu uma baita gripe… ossos do ofício de ser uma empresa de uma mulher só… aqui o texto até atrasa, mas sempre sai!

Lísia Maria/Bordadologia. Maio de 2018.

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BORDADO X PROCRASTINAÇÃO: 8 DICAS PARA NÃO CAIR NESSA!

BORDADO X PROCRASTINAÇÃO: 8 DICAS PARA NÃO CAIR NESSA!

Perguntamos ao seguidores em nosso perfil no Instagram: “Como estão os seus projetos de bordado em 2018?” e ficam@s chocad@s com o resultado! Das pessoas que gentilmente responderam nossa enquete:

É muito projeto empacado!

E o pior é que nós da Bordadologia estamos com a maioria: uma parte dos nossos projetos. que já tinham que estar a pleno vapor, ainda engatinham em nossos lindos bullet journals e estão um pouco longe de saírem do papel :(

Pensando nisso, reunimos aqui algumas dicas para ajudar a todos nós que estamos encalhados nesse mar de linhas, riscos e ideias!

8 DICAS PARA EVITAR O BORDADO ENCALHADO!

1 – MANTENHA SEU MATERIAL DE BORDADO SEMPRE ORGANIZADO, assim quando for começar o seu projeto você não perde tempo arrumando todas aquelas linhas emboladas;

2 – TAMBÉM ORGANIZE UM CADERNO DE RISCOS, pois isso te ajudará a ter sempre à mão os desenhos que você já investiu algum tempo pesquisando ou criando, ao invés de ter que começar do zero todas as vezes;

3 – TENHA UMA LISTINHA – pequena – dos projetos que você espera fazer em breve; escreva a lápis (para poder ir apagando os projetos já bordados e substituindo por novos) e cole-a no seu caderno de riscos;

4 – NÃO SE PERCA NAS SUAS ANOTAÇÕES! Evite usar o tempo que você tinha naquela tarde para ficar atualizando, ad eternum, seu caderno de risco e sua listinha de projetos! De vez em quando você precisará fazer isso, mas lembre-se que o objetivo é otimizar o tempo para bordar;

5 – SEPARE UM TEMPO NA SUA AGENDA SEMANAL para a atividade do bordado: ainda que eventualmente você precise abrir mão dessa brechinha, se o horário existir na sua rotina será muito mais fácil dar andamento aos trabalhos que você iniciou;

6 –  TENHA UM CANTO PARA BORDAR, para que você não precise negociar o uso de móveis e espaços da casa com os outros habitantes toda vez que for trabalhar; se você mora sozinh@, separe um espaço para que você não precise negociar com a bagunça;

7 – DEIXE MÚSICAS, SÉRIES E FILMES NO PONTO, se você é do tipo que borda acompanhad@ de trilha sonora ou narrativas dramáticas. Evite gastar o seu tempo para bordar escolhendo esse acompanhamentos (quem nunca?);

8 – CONHEÇA SUAS LIMITAÇÕES técnicas e de tempo também: não adianta envolver-se em um projeto com uma técnica que você ainda não pôde aprender, nem em um projeto que vai consumir horas que você não tem disponíveis no seu cotidiano; um projeto dificílimo e interminável está fadado a permanecer incompleto, além de transformar as horas de trabalho nele numa tortura tediosa.

Além destas dicas, separamos também uma animação, feita pelo artista John Kelly, que sempre assistimos por aqui quando precisamos de um estímulo para o nosso ânimo e nossa organização:

Se este texto ajudou você um pouquinho, deixe sua opinião nos comentários! E nos siga em nossas redes sociais para ter sempre nossas notícias fresquinhas! :)

Lísia Maria/Bordadologia. Fevereiro de 2018.

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HISTÓRIA SENTIMENTAL DO BORDADO

HISTÓRIA SENTIMENTAL DO BORDADO

BORDAR É: ornamentar com desenhos feitos com agulha (segundo os dicionários).

Esta frase era o começo de um texto que tentaria reunir informações sobre os primeiros bordados e um pouco da sua história. Mas daí o olho relê, a cabeça pensa e damos um grande suspiro… Bordar é ornamentar com desenhos feitos com agulha: quanta história cabe nessa frase.

Desde as mulheres da Grécia Antiga até as descoladas bordadeiras de hoje, quantas histórias individuais foram escritas em paralelo à agulha que sobre e desce.

Quantos bordados fizeram parte da vida de alguém, que bordou ou ganhou uma peça que se manteve na família atravessando gerações.

Quantas mulheres não tiraram desse ofício o seu sustento, sobrevivendo numa sociedade quase sempre injusta com elas.

Quantas histórias coletivas foram registradas com esses pontos insistentes, e hoje estão guardadas nos museus do mundo, silenciosamente esperando o nosso olhar.

Quanto sentimento de espera e expectativa de uma vida perfeita não foi deixado em cada enxoval bordado (interessante pensar que as separações, inevitáveis, nunca eram registradas, nunca houve um “enxoval de divorciada”).

Quantas mulheres que tiveram sua criatividade externada através dos panos de prato decorados pacientemente, já que, para nós mulheres, durante muito tempo, ser artista era proibido, assim como ver certas peças, ouvir certas músicas, ler certos livros.

E quantas outras não tiveram seu gênio domado à força pelo bordado que eram obrigadas a fazer, encolhidas pela ditadura de um avesso perfeito e de um ofício que forçosamente ocupava o tempo e as ideias. É o lado triste da história do bordado, mas acontecia…

E as histórias de luta bordadas por mulheres que escolheram as agulhas para registrar e denunciar as injustiças cometidas em seus países, contra seus filhos, contra elas mesmas, contra suas ideias e posturas políticas?

Quanta vida não passou por cada ponto.

Bordar é ornamentar a própria vida com desenhos feitos com agulha.

As peças bordadas são dadas de presente, vendidas, distribuídas; mas carregam consigo um pedaço do tempo de vida da bordadeira, um pedaço de tanta coisa que ela pensou ou sentiu enquanto a agulha trabalhava.

Essa história sentimental do bordado não está escrita em nenhum livro, mas está escrita em todos os bordados já feitos. TODOS.

Era para ter sido um texto quase técnico, com informações destinadas a aumentar o conhecimento sobre esse assunto tão cheio de história, mas felizmente esta frase nos atravessou e nos desviou para o caminho certo: antes de pensar com a cabeça, bora pensar com o coração.

Cada vez que você tiver em mãos uma peça bordada, tente escutar essa história secreta.

Bordar é ornamentar a própria vida com desenhos feitos com agulha.

Lísia Maria/Bordadologia. Setembro de 2017.

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9 SUPER DICAS PARA FAZER BORDADOS INCRÍVEIS!

Se você já borda, este conteúdo vai ajudar você a deixar seus trabalhos mais bacanas e com uma pegada mais atual.

O texto é compridinho, mas vale a pena!

DICA 01 – APROFUNDE A TÉCNICA

O bordado é, antes de qualquer outra coisa, uma prática que exige técnica. Para começar a bordar basta saber o ponto alinhavo; mas para seguir bordando e poder explorar mais possibilidades, é necessário conhecer mais pontos e maneiras de combiná-los. Além dos pontos, também é preciso conhecer materiais, especialmente os tecidos e linhas. Procure livros, vídeos tutoriais, sites especializados e, principalmente, converse com outras pessoas que bordam.

DICA 02 – CONHEÇA A HISTÓRIA

Bordar é uma das atividades humanas mais antigas, e que está presente em culturas muito diversas. Assim, a variedade de materiais, pontos e significados dados a um bordado é gigantesca, e conhecer essa história tão remota e plural pode parecer uma tarefa impossível. Comece aos poucos e vá assimilando a seu tempo cada informação, comparando-a sempre com a sua história pessoal com o bordado. Você vai se surpreender ao ver como esse aprendizado teórico vai refletir em seu trabalho prático!

DICA 03 –  BORDE MUITO!

Bordar exige tempo, e tempo é uma das coisas que temos menos a cada dia. Mas é necessário bordar tanto quanto você puder, e com regularidade. Dica de ouro: separe um horário fixo semanal para bordar, uma tarde de sábado, por exemplo. Se você conseguir seguir de verdade esse horário, furando só quando for absolutamente necessário, em pouco tempo sua habilidade vai crescer – assim como sua vontade de estender essas horinhas…

DICA 04 – NEM TUDO É BORDADO!

O mundo ao nosso redor é uma grande e dinâmica fonte de inspiração. E nossas experiências nele são ainda mais importantes que apenas assistí-lo da janela ou na tela. Saia, movimente o corpo, vá a lugares que você gosta, vá a lugares novos, encontre as pessoas. Aproveite esses momentos – ter tempo para eles é tão importante quanto tempo para bordar. E não se espante quando a inspiração bater bem no meio de um passeio de bicicleta.

Ande por outras esferas que também estão repletas de ideias interessantes: Moda, Design, Arte, Cinema, Literatura, Teatro, Dança, Gastronomia e até Filosofia podem não trazer receitas literais para um bordado, mas vão deixar sua cabeça oxigenada e seu coração inspirado. Observe o que os profissionais dessas áreas andam inventado e perceba que você também pode pensar em direções novas.

DICA 05 – PESQUISE!

Dica curta e direta: conheça o trabalho de outros artistas do bordado. Dica de ouro da dica curta e direta: os aplicativos Instagram e Pinterest estão repletos de trabalhos, com as mais diversas técnicas e temas. Se joga!

DICA 06 – PROCURE A SUA TURMA

Andamos muito reclusos em nossos universos particulares, ocupados com o trabalho e distraídos pelo entretenimento virtual. Mas faça uma forcinha e forme ou encontre um grupo de pessoas bordadeiras que você possa fazer parte: bordar em grupo é produtivo – pois muitas informações são trocadas – e divertido: você vai perceber que suas manias de trabalho não são apenas suas. E que você não é a única pessoa a suspirar de amor no armarinho.

DICA 07 – CONHEÇA A VELHA GUARDA

Essa dica é especial para quem não aprendeu a bordar ensinada/o por familiares: converse com as pessoas mais velhas. Mais que pontos ou manhas, elas são capazes de transmitir a cultura do bordado, suas interpretações simbólicas e muitas histórias pessoais – é emocionante escutar o relato de uma pessoa idosa que borda há mais de 50, 60 ou 70 anos. Se você tiver essa oportunidade, não deixe passar.

DICA 08 – FAÇA VOCÊ MESMA/O

Riscos e modelos prontos podem ajudar você a começar a bordar, mas é muito importante que você também crie – ou ficará sempre presa/o às ideias alheias. Para definir um tema, inspire-se em experiências e gostos pessoais. Se você não desenha (muitas pessoas não desenham), recorte figuras de revistas e desenhe sobre elas com o auxílio de papel vegetal ou papel manteiga – misturando recortes, em minutos você pode conseguir um risco muito interessante e, o melhor, só seu.

DICA 09 – REGISTRE SEU PROCESSO

Guarde amostras de tecido que você bordou para treinar; guarde anotações; guarde riscos que você criou e seus rascunhos – um caderno ou caixa podem servir. Guarde também todas as imagens que que baixar; e links dos sites que visitar.  Se o volume de guardados ficar muito grande, faça uma faxina de tempos em tempos, mas não se desfaça do que julgar significativo. Este material, além de servir como uma fonte permanente de ideias, vai registrar sua evolução não apenas técnica, mas também como artista do bordado.

BORA BORDAR?

Lísia Maria/Bordadologia. Agosto de 2017.

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